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Universidades: genial criação da Igreja medieval

As cidades medievais foram o marco do aparecimento de uma das máximas criações medievais: a Universidade. Hoje elas estão tão difundidas no mundo que as pessoas custam a acreditar que não existiram sempre.

Entretanto, elas só conheceram a luz sob o bafejo da Igreja, em cidades que depois ficaram ilustres pelo seu caráter universitário: Coimbra, Oxford, Paris, Bologna, Salamanca… a lista é intérmina.

Eis como o Prof. Thomas Woods se refere a esta genial criação da Igreja medieval, em livro recentemente publicado no Brasil:

“Os papas e outros homens da Igreja situaram as universidades entre as grandes jóias da civilização cristã.”

Era comum ouvir descrever a Universidade de Paris como a “nova Atenas”, uma designação que evoca as ambições de Alcuíno quando, vários séculos antes, no período carolíngio, se propunha estabelecer uma nova Atenas no reino dos Francos.

O papa Inocêncio IV (1243‒ 1254) descreveu as universidades como “rios de ciência cuja água fertiliza o solo da Igreja universal”, e o papa Alexandre IV (1254-1261) chamou-as “lâmpadas que iluminam a casa de Deus”.

E é ao apoio dado pelos papas que se devem o crescimento e o êxito do sistema universitário. “Graças a essas intervenções pontifícias ‒ escreve o historiador Henri Daniel-Rops ‒, o ensino superior foi capaz de expandir-se. A Igreja foi sem dúvida a matriz de onde saiu a Universidade, o ninho de onde ela levantou vôo”.

É um fato comprovado que uma das mais importantes contribuições medievais para a ciência moderna foi a liberdade de pesquisa no mundo universitário, onde os acadêmicos podiam debater e discutir as proposições apoiados na certeza da utilidade da razão humana.

Contrariamente ao retrato grosseiramente inexato que se tem feito da Idade Média, a vida intelectual medieval prestou contribuições indispensáveis à civilização ocidental. “Os mestres da Idade Média ‒

concluiu David Lindberg em The Beginnings of Western Science (1992) ‒ criaram uma ampla tradição intelectual, sem a qual o subseqüente progresso na filosofia natural teria sido inconcebível”.

Christopher Dawson, um dos grandes historiadores do século XX, observou que, desde os tempos das
primeiras universidades, “os mais altos estudos eram dominados pela técnica da discussão lógica: a quaestio e o debate público, que tão amplamente determinaram a forma da filosofia medieval, sobretudo nos seus principais expoentes”.

“Nada pode ser perfeitamente conhecido ‒ disse Roberto de Sorbonne ‒ se não tiver sido mastigado pelos dentes do debate, e a tendência a submeter todas as questões, da mais óbvia à mais abstrusa, a esse processo de mastigação não só estimulava a perspicácia e a exatidão do pensamento como, acima de tudo, desenvolvia o espírito crítico e a dúvida metódica a que a cultura e a ciência ocidentais tanto devem”.

O historiador da ciência Edward Grant concorda com esse juízo:

“O que foi que tornou possível à civilização ocidental desenvolver a ciência e as ciências sociais de um modo que nenhuma outra civilização havia conseguido até então? Estou convencido de que a resposta está no penetrante e profundamente arraigado espírito de pesquisa que teve início na Idade Média como conseqüência natural da ênfase posta na razão. Com exceção das verdades reveladas, a razão era entronizada nas universidades medievais como árbitro decisivo para a maior parte dos debates e controvérsias intelectuais. Os estudantes, imersos em um ambiente universitário, consideravam muito natural empregar a razão para pesquisar as áreas do conhecimento que não haviam sido exploradas anteriormente, assim como discutir possibilidades que antes não haviam sido consideradas seriamente”.

A criação da Universidade, o compromisso com a razão e com a argumentação racional e o abrangente espírito de pesquisa que caracterizou a vida intelectual medieval representaram “um dom da Idade Média latina ao mundo moderno […], ainda que nunca se venha a reconhecê-lo. Talvez esse dom conserve para sempre a condição de segredo mais bem guardado que a civilização ocidental teve durante os quatro séculos passados”.

Foi um dom da civilização cujo centro era a Igreja Católica.

Fonte: Thomas E. Woods Jr., “Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental”, editora Quadrante, São Paulo, 2008, 222 pp., p. 60-62

Via Cidade Medieval

Locais abandonados pelo mundo

Há alguns lugares mundo afora que já foram palco de eventos históricos, grandes desastres causados pelo homem e até mesmo pacatas cidades, porém, por diversos motivos, são hoje verdadeiras cidades fantasmas.
Listamos alguns desses lugares abaixo.

Kolmanskop, Namíbia

Um dos motivos mais corriqueiros para que uma cidade seja abandonada por seus moradores são mudanças econômicas radicais. A cidade de Kolmanskop, no deserto da Namíbia, é um exemplo literal de como esse fenômeno pode criar desertos em poucos anos. Tradicional colônia alemã, dedicada ao garimpo de diamantes, ela foi gradualmente abandonada a partir da década de 1930, quando as pedras começaram a se tornar escassas. Com o fim de sua principal atividade econômica, a cidade perdeu seu último habitante em 1954. Hoje, hospital, cassino, escola e até uma discoteca, tudo em estilo alemão dos anos 20, estão tomados por areia.

Centralia, Estados Unidos 

Cidades fantasmas também nascem a partir de acidentes, como o que aconteceu em Centralia, nos EUA, em 1962. A cidade vivia principalmente da extração de minério quando, naquele ano, um incêndio atingiu o subterrâneo de minas desativadas. Até hoje, o fogo não se extinguiu e a fumaça continua brotando do chão em alguns pontos do município. Apesar disso, as pessoas só começaram a abandonar o local na década de 1980, quando notaram altas concentrações de gases tóxicos no ar, e que a temperatura do solo em algumas regiões passava de 70 graus. O governo então criou um programa de remoção das famílias locais e, hoje, menos de dez pessoas moram lá, em casas condenadas e isoladas. Até o CEP de Centralia foi revogado pelo correio americano.

Pripyat, Ucrânia

Essa era a residência da maioria dos trabalhadores da usina de Chernobyl, palco do maior acidente nuclear da história. Quando o reator explodiu, em 1986, cerca de 50 mil pessoas moravam lá. Todas elas foram obrigadas a abandonar suas casas subitamente, deixando seus pertences e sua história para trás. Atualmente, ela só recebe a visita de cientistas, que estimam que os níveis de radiação da região devem manter a zona de exclusão ativa por até nove séculos. Além deles, a cidade é visitada apenas por turistas em veículos fechados e por alguns loucos, como o brasileiro Márcio André, que em 2007 passeou ali durante seis horas, sem proteção, declamando poemas para os fantasmas locais.

Cheng Gong, China

A febre desenvolvimentista chinesa criou um tipo de cidade fantasma muito peculiar. Preocupado com o crescimento do município Kunming — polo industrial e agrícola com mais de 6 milhões de habitantes —, o governo chinês decidiu construir o distrito de Cheng Gong, a 20 minutos de carro da metrópole. Já está tudo pronto: dezenas de edifícios residenciais, condomínios de luxo, shoppings, parques e até um estádio moderno. Só que as obras andaram mais rápido que a expansão da cidade vizinha. Resultado: faltam moradores para Cheng Gong virar uma cidade de verdade, em vez de um melancólico canteiro de obras.

Oradour-Sur-Glane, França

Os moradores desse vilarejo francês não o abandonaram, mas foram cruelmente massacrados por tropas alemãs em 1944. Os militares buscavam um oficial sequestrado e entraram por engano no lugar, achando estar na vizinha Oradour-sur-Vayres, onde o desaparecido estaria. Após matar 190 homens com tiros nas pernas, os soldados atearam fogo à igreja onde 247 mulheres e 205 crianças estavam presas. Apenas uma mulher sobreviveu. Em vez de ser reconstruída, a cidade tornou-se um memorial a céu aberto.

Varosha, Chipre

Lá por volta de 1970, a cidade de Famagusta era o ponto mais visitado por turístas no Chipre. Varosha era o nome do bairro mais badalado, com sua paradisíaca praia e os principais bares e hotéis eram localizados neste bairro. Toda essa diversão acabou em 1974 com a chegada do exército turco, que invadiu a cidade expulsando qualquer alma viva que estivesse por lá. Nem mesmo a ONU consegue retomar a vida no local, que com campanhas internacionais tentam liberar o acesso aos seus antigos moradores e turistas. Quem habita a região agora, são apenas alguns membros do exército turco e seus familiares. No mapa do Google Maps dá para ver a quantidade de prédios abandonados, que sem cuidado nenhum, estão sendo engolidos pela natureza e virando ruinas aos poucos. Quem gostou disso tudo, foram as tartarugas marinhas, que adotaram a praia, e agora aproveitam a calma e fantasmagórica região.

Bodie, EUA

A cidade de Bodie, na Califónia, foi erguida devido a atividade mineradora. No ano de 1859, William Bodey descobriu uma mina de ouro na região e, em busca de uma vida melhor, muitas famílias chegaram na cidade. Os primeiros 20 mineradores tinham agora, cerca de 10 mil vizinhos. Pena que a alegria teve um fim, e após diversos incêndios na cidadela, somados com o fim do ouro fez toda galera recolher seus pertences e colocar o pé na estrada. Hoje em dia, a cidade é visitada por turistas do mundo todo. Ela foi comprada em 1962 pelo Estado da Califórnia para se tornar um parque histórico. Agora, se você, quer visitar Bodie, vá no verão, pois no inverno a principal estrada que leva a cidadezinha abandonada está cheia de neve e conseqüentemente bloqueada.

Gunkanjima, Japão

O nome do lugar abandonado é ilha Hashima, mas ela é mais conhecida como Gunkanjima, que significa Ilha do Navio de Guerra (devido ao seu formato). Ela está localizada no sul do Japão, a cerca de 20 km da cidade de Nagasaki. A origem do nome, deve-se as inúmeras barreiras de concreto e dos altos prédios que faziam a ilhota parecer um navio de guerra. No ano de 1974, todos os habitantes foram obrigados a deixar o local por ordem do governo, devido a escassez de recursos naturais e consequentemente ao fechamento da mina de carvão local, fazendo 5200 trabalhadores e suas respectivas famílias fazerem as malas e partirem em busca de uma nova vida. A cidade de Nagasaki, que é a atual proprietária de Gunkanjima, pretende tranformar os 6,3 hectares da cidade fantasma em um popular centro turístico, e já gastou cerca de 100 milhões de ienes construindo piers e passarelas para os visitantes. Enquanto a ilha não retorna à vida, o acesso a Gunkanjima é proibido.

Via Galileu, Underflash

Arqueólogos encontram moedas milenares em ruínas de Israel

Um tesouro com moedas de ouro milenares foi desencavado de um terreno onde forças cristãs e muçulmanas travaram batalhas pelo controle da Terra Santa durante as cruzadas.

O material estava nas ruínas de um castelo em Arsuf, local estratégico durante o conflito religioso dos séculos 12 e 13. As 108 moedas formam uma das maiores coleções de moedas antigas já descobertas em Israel. Elas estavam em uma jarra de cerâmica sob uma lajota, no topo das ruínas que ficam à beira-mar, a 15 quilômetros de Tel Aviv.

“É uma descoberta rara. Não temos muito ouro que foi circulado pelos cruzados”, disse Oren Tal, professor da Universidade de Tel Aviv que comandou a escavação.

Pote com 108 moedas foi achado em ruínas de castelo que foi palco de conflitos religiosos durante as cruzadas, que ocorreram entre os séculos 12 e 13 d.C. (Foto: Baz Ratner/Reuters)

Local foi palco de batalha histórica
Foi em Arsuf que as forças do rei inglês Ricardo Coração de Leão derrotaram o líder islâmico Saladino. Cerca de 80 anos depois, em 1265, os muçulmanos voltaram sob o comando de outro general e sitiaram a cidade por 40 dias. Quando os muros externos caíram, os cavaleiros cruzados recuaram para o castelo, que acabou sendo destruído.

Acredita-se acredita que o tesouro tenha pertencido à Ordem de Malta, cujos membros habitavam o castelo. As moedas talvez seriam usadas para pagar o arrendamento das terras, ou fossem o lucro de atividades industriais, disse o arqueólogo.

Ao todo, as moedas pesam cerca de 400 gramas. Algumas foram cunhadas dois séculos antes no Egito, e elas serão estudadas nos próximos seis meses, disse Tal. “O estudo dessas moedas irá contribuir para a nossa compreensão de como interações econômicas de grande escala eram feitas na época”, disse ele.

Segundo pesquisadores, moedas seriam utilizadas para pagar o arrendamento de terras ou lucro por atividades industriais da época. (Foto: Baz Ratner/Reuters)

Via G1

Educação brasileira

Orçamento da educação no Brasil

Uma sociedade cheia de privilegiados

A 'Bastilha', mais conhecida por ter sido uma prisão - assim funcionando desde o início do século XVII até o final do século XVIII. Ficou conhecida por ter sido o palco do evento histórico conhecido como a Queda da Bastilha, em 14 de Julho de 1789, o qual aliado ao Juramento do Jogo da Péla, está entre os fatos mais importantes do início da Revolução Francesa.A sociedade francesa encontrava-se dividida, à época da Revolução Francesa, em três estados ou ordens. O clero e a nobreza representavam o primeiro e o segundo estados, respectivamente. Ambos possuíam privilégios judiciários e fiscais, herança dos tempos feudais, e detinham 55% das terras. Recebiam impostos sobre a produção, direitos de pedágio e exerciam altos cargos públicos.

A Igreja Católica ajudava na manutenção do absolutismo, perpetuando uma forte aliança com os reis. O alto clero desfrutava de regalias e de riquezas inacessíveis ao baixo clero (sacerdotes pobres). Os gastos da nobreza palaciana comprometiam o tesouro público. A nobreza provincial, em declínio, espoliava os camponeses, impondo-lhes pesados impostos e taxas. Havia ainda a nobreza de toga, que eram burgueses que haviam comprado títulos de nobreza e exerciam cargos políticos e administrativos.

Literalmente, “sem calções”; referia-se à pessoa que usava calças compridas em vez dos calções até o joelho, traje preferido pelos ricos. Aplicava-se originalmente às pessoas mais simples, mas durante a Revolução passou a ter uma conotação política, identificando os revolucionários radicais.

O Terceiro Estado era composto pelo resto da população, inclusive a burguesia, aproximadamente 97% danação. A alta burguesia era constituída pelos financistas e banqueiros. A média burguesia, por arrendatários, que viviam de suas propriedades urbanas e rurais, profissionais liberais e comerciantes. Mas foi a pequena burguesia, constituída por pequenos comerciantes e artesãos, que participou ativamente da revolução.

Nas cidades, vivia uma massa de assalariados, artesãos, diaristas, operários e desempregados conhecidos como sans culottes*. Seriam a grande força do movimento revolucionário. Nos campos, habitava a maioria dos franceses, camponeses esmagados pelos antigos privilégios feudais. Não possuíam terras e eram explorados pelos grandes proprietários. Estes se transformariam na vanguarda do terceiro Estado, lutando por igualdades civis e melhores condições de vida.

*literalmente, “sem calções”; referia-se à pessoa que usava calças compridas em vez dos calções até o joelho, traje preferido pelos ricos. Aplicava-se originalmente às pessoas mais simples, mas durante a Revolução passou a ter uma conotação política, identificando os revolucionários radicais.

O gráfico mostra como, em poucos anos, tinha aumentado o custo do alimento para a população francesa.

Movimento estudantil

Por Renato Cancian*

Movimento estudantil

Nas décadas de 60 e 70, o movimento estudantil universitário brasileiro se transformou num importante foco de mobilização social. Sua força adveio da capacidade de mobilizar expressivos contingentes de estudantes para participarem ativamente da vida política do país.

Dispondo de inúmeras organizações representativas de âmbito universitário (os DCEs: diretórios centrais estudantis), estadual (as UEEs: uniões estaduais dos estudantes) e nacional (representada pela UNE: União Nacional dos Estudantes), o movimento estudantil, com suas reivindicações, protestos e manifestações, influenciou significativamente os rumos da política nacional.

A expansão das universidades

Para entender como o movimento estudantil universitário tornou-se um importante fator político devemos, primeiramente, considerar algumas mudanças que afetaram o sistema de ensino superior público do país. No final da década de 50, ele começou a crescer, com a criação de inúmeras faculdades e universidades. Num país em desenvolvimento, o acesso ao ensino superior passou a ser condição fundamental para acelerar o processo de modernização, ao mesmo tempo que abria novos caminhos para a mobilidade e ascensão social.

Sua expansão resultou num aumento progressivo da oferta de vagas, que foram preenchidas por jovens provenientes, sobretudo, dos estratos médios da sociedade. As matrículas cresceram a uma taxa média de 12,5 % ao ano. Para traçar um panorama do aumento das vagas, basta constatar que, em 1945, a universidade brasileira contava com 27.253 estudantes, total que saltou para 107.299 no ano de 1962. Em 1968, o número de universitários dobrou, chegando a 214 mil.

Ideologia e política

O aumento do número de estudantes coincidiu com o crescimento e consolidação de novas correntes políticas no meio universitário, que passaram a liderá-lo através do controle dos principais cargos nas mais importantes organizações estudantis. As novas correntes políticas se tornaram hegemônicas e defendiam ideologias ligadas à esquerda marxista (ou seja, um projeto socialista de transformação da ordem social).

Essas correntes esquerdistas foram bem sucedidas ao canalizarem a crescente insatisfação da massa jovem diante das deficiências e problemas do sistema de ensino superior. Desse modo, a década de 60 presenciou as primeiras grandes mobilizações em defesa de reivindicações de caráter educacional. Na primeira metade dos anos 60, a chamada “Reforma da Universidade” consistiu na mais importante luta do movimento estudantil.

Golpe de 1964

O golpe militar repercutiu significativamente no movimento estudantil. A influência das correntes políticas de esquerda levou as autoridades militares a reprimirem as lideranças estudantis e desarticularem as principais organizações representativas. Primeiramente a UNE foi posta na ilegalidade, depois as UEEs e os DCEs. Foram criadas novas organizações e novos procedimentos foram adotados para seleção de seus representantes.

As constantes tentativas das lideranças estudantis de retomarem o controle das organizações foi o principal fator a desencadear novas ondas de repressão política. Desse modo, reivindicações educacionais e manifestações de protesto político contra o governo militar foram as principais bandeiras de luta do movimento na segunda metade da década de 60. O ápice da radicalização dos grupos estudantis ocorreu em 1968, ano marcado por grandes manifestações de rua contra a ditadura militar.

O auge da repressão

O que parecia ser uma breve intervenção militar na política acabou se transformando numa ditadura que reprimiu violentamente grupos e movimentos de oposição. De 1969 a 1973, a coerção política atingiu o seu ápice. Neste período, o movimento estudantil foi completamente desarticulado. A maior parte dos militantes e líderes estudantis ingressou em organizações de luta armada para tentar derrubar o governo.

Em 1973, os militares derrotaram todas as organizações que pegaram em armas. Somente em 1974 começaram a surgir os primeiros sinais da recuperação do movimento estudantil. A nova geração de estudantes, que militaram e lideraram as frentes universitárias da década de 70, teve pela frente o árduo trabalho de reconstruir as organizações estudantis.

A retomada

O período em que o movimento estudantil voltou a ter força coincidiu com uma mudança importante nos rumos da política nacional. Após a escolha do general Ernesto Geisel para a Presidência da República teve início a implementação do projeto de liberalização política, que previa a redemocratização do país.

Foi um processo lento e gradual, que durou até o final dos governos militares. É importante ressaltar que, neste período, a volta do movimento estudantil não desencadeou ondas de repressão política como as que foram presenciadas no final da década de 60 e início da década de 70. A ditadura já não contava com apoio popular e até mesmo as elites começaram a dirigir duras críticas contra o governo militar. A luta contra a ditadura foi travada com a bandeira das liberdades democráticas.

O ápice da retomada se deu em 1977, ano marcado pela saída dos estudantes para as ruas. Grandes manifestações de protesto e passeatas públicas mobilizaram os estudantes em defesa da democracia. As reivindicações de caráter educacional não obtiveram grande destaque. Foram as reivindicações de caráter político (defesa das liberdades democráticas, fim das prisões e torturas e anistia ampla, geral e irrestrita) que se tornaram a grande força motivacional a mobilizar os estudantes. Passo a passo, as principais organizações estudantis foram reconstruídas. Primeiramente surgiram os DCEs-livres, em seguida as UEEs e, finalmente, em 1979, a UNE foi refundada.

Declínio e os “caras-pintadas”

Ironicamente, no final da década de 70, apesar das principais organizações estarem em pleno funcionamento, o movimento estudantil universitário havia perdido sua força e prestígio político. Desde o final da ditadura militar, a importância do movimento estudantil tem declinado significativamente. Em 1992, o amplo movimento social de oposição ao presidente Fernando Collor de Mello fez ressurgir o movimento estudantil, mas apenas por um breve período.

*Renato Cancian é cientista social, mestre em sociologia-política e doutorando em ciências sociais. É autor do livro “Comissão Justiça e Paz de São Paulo: gênese e atuação política – 1972-1985”.

educacao.uol.com.br

Caras-pintadas

Os homens da vida do rei

A bissexualidade era mais aceita à época de Alexandre III, o Grande*.

A bissexualidade na Grécia era relativamente aceita. Não havia os conceitos de hetero ou homossexual. Plutarco nega que Alexandre preferisse homens. Teria demonstrado isso duas vezes ao recusar belos rapazes enviados pelos mercadores Filóxeno e Ágno. Mas Diodoro Sículo tem outra visão: “Em sua vida, ele tinha preferido Heféstion a todos, embora Crátero reivindicasse o seu amor, mas foi Heféstion seu amante.” Segundo Plutarco, “ele amava mais a um e honrava mais ao outro, dizendo mesmo que Heféstion amava Alexandre e Crátero amava o rei”. A documentação sobre o monarca não menciona intimidades com homens, exceto a cena citada pelo historiador grego e reproduzida no cinema, o beijo em Bagoas: “Um dia depois de ter bebido muito, foi assistir ao concurso de danças, dentre elas, a de Bagoas, um moço, de quem Alexandre gostava, obteve a vitória (…) e foi sentar-se perto de Alexandre. Os macedônios puseram-se a bater palmas e soltar exclamações de alegria, dizendo em voz alta que o beijasse. Era tal o barulho que ele o tomou nos braços e o beijou diante de todos”.

*Alexandre pertenceu à dinastia Argéada, que governou a Macedônia por mais de 400 anos. Segundo o historiador grego Plutarco, os argéadas descendiam do general macedônio Argeas, descendente direto de Témeno, tetraneto de Heracles (ou Hércules), originário de Argos, cidade-mãe de muitos heróis da Guerra de Troia. Alexandre nasceu da união do rei Felipe II (359-336 a.C.) com Olímpia (filha do rei do Épiro, região localizada entre as atuais Macedônia, Croácia e Albânia), levada a casar-se com o rei por questões políticas.

adaptado de Aventuras na História, ed. 91, fev. 2011

Satélites descobrem 17 pirâmides “perdidas”

Cientistas acreditam ter encontrado 17 pirâmides “perdidas” no Egito.

Sarah Parcak e sua equipe de um laboratório patrocinado pela NASA da Universidade do Alabama, EUA, fizeram as descobertas através de um levantamento por satélite. Duas das supostas pirâmides já foram confirmadas por escavações iniciais.

Eles também encontraram mais de 1.000 tumbas e 3.000 antigos assentamentos em imagens infravermelhas que mostram construções subterrâneas.

Sarah disse que é provável que mais edifícios sejam encontrados. As descobertas são apenas de locais próximos à superfície. Existem milhares de locais adicionais que o Nilo cobriu com lama, e que o trabalho com imagens espaciais pode mostrar.

“Isso só nos mostra como é fácil subestimar o tamanho e a escala dos assentamentos humanos do passado”, afirma Sarah. Ela disse que as técnicas usadas são instrumentos importantes na elaboração de onde concentrar escavações, pois os satélites permitem uma perspectiva muito maior de sítios arqueológicos.

Enquanto isso, os túmulos de sete homens, incluindo vários que serviam o rei Tutancâmon e seu pai, o faraó Aquenáton, foram abertos para os turistas no começo desta semana, após restauração.

O ministro egípcio de antiguidades, Zahi Hawass, disse que dois dos homens que construíram tumbas para si mesmos – Maya, o tesoureiro do rei Tutancâmon, e Horemheb, um general do mesmo rei, que mais tarde se tornou rei -, foram homens muito importantes durante um dos períodos mais tumultuados do Egito.

Segundo Zahi, Maya foi responsável por restaurar a ordem no Egito, enquanto seu colega Horemheb restaurou a ordem no exterior.

A tumba construída para Meryneith, que era mordomo do templo no reinado de Aquenáton, era de tijolos envoltos em blocos de pedra calcária. Uma cena em uma parede mostra metalúrgicos exercendo seu ofício.

Os outros túmulos foram construídos para Ptahemwia, que era o mordomo real de ambos Aquenáton e Tutancâmon, Tia, um alto funcionário de Ramsés II que reinou de 1303-1213 a.C., e Pay e seu filho, Raia. Pay era o superintendente do harém de Tutancâmon, e Raia era um soldado, que mais tarde assumiu o posto de seu pai.

Alguns destes túmulos foram descobertos em 1843 pelo explorador alemão Richard Lepsius, mas não foram totalmente escavados até que uma missão anglo-holandesa começou a escavar lá em 1975. Agora, uma equipe holandesa da Universidade de Leiden está restaurando os túmulos.

Via hypescience

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