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Meio Ambiente

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O batimento cardíaco da Terra

John Nelson é conhecido por construir visualizações extremamente complexas de padrões meteorológicos, como fez com tornados aqui aqui. Agora, Nelson criou um simples GIF que captura o ciclo sazonal da neve, da grama, da morte e renascimento do planeta que chamamos de casa.

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O GIF é uma animação de 15 frames fotográficos capturados pelo satélite da NASA e mostra um ano de vida na Terra. O movimento ritmado das transformações, esse vai e vem contínuo, remete a uma forma de respiração ou batimento cardíaco, como se a Terra estivesse, inegavelmente, viva.

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Nelson conta o que sentiu quando finalizou a animação: “Eu fiquei surpreso com a resposta, realmente. Especialmente a minha. Depois de trabalhar algumas horas nas questões cartográficas (projeção, coloração, névoa atmosférica e tal), eu vi pela primeira vez os frames cintilarem na minha frente, apenas observando enquanto eles davam voltas de novo e de novo. Algo que eu estava familiarizado como uma coisa estática, estava agora pulsando e viva e não estava esperando me sentir tão atraído a ela.”

Via Ideafixa.com

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Dezoito cientistas brasileiros questionam aquecimento global causado pelo homem

Dezoito dos principais cientistas do país, entre físicos, geólogos e climatologistas, enviaram carta à presidente Dilma Rousseff questionando o consenso de que o aquecimento seja causado pelo homem. Eles dizem que não há nenhuma influência humana sobre o clima global e que a hipótese de que o homem influencia o clima “é um desserviço à ciência”. Criticam o que chamam de alarmismo climático e destacam que o gás carbônico (CO2) não é o vilão do aquecimento global, muito pelo contrário, “é o gás da vida”.

Abaixo a íntegra da carta aberta à presidente Dilma.

Carta aberta à presidente Dilma Rousseff

Mudanças climáticas: hora de recobrar o bom senso

Exma. Sra.

Dilma Vana Rousseff

Presidente da República Federativa do Brasil

Excelentíssima Senhora Presidente:

Em uma recente reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, a senhora afirmou que a fantasia não tem lugar nas discussões sobre um novo paradigma de crescimento – do qual a humanidade necessita, com urgência, para proporcionar a extensão dos benefícios do conhecimento a todas as sociedades do planeta. Na mesma ocasião, a senhora assinalou que o debate sobre o desenvolvimento sustentado precisa ser pautado pelo direito dos povos ao progresso, com o devido fundamento científico.

Assim sendo, permita-nos complementar tais formulações, destacando o fato de que as discussões sobre o tema central da agenda ambiental, as mudanças climáticas, têm sido pautadas, predominantemente, por motivações ideológicas, políticas, acadêmicas e econômicas restritas. Isto as têm afastado, não apenas dos princípios basilares da prática científica, como também dos interesses maiores das sociedades de todo o mundo, inclusive a brasileira. Por isso, apresentamos-lhe as considerações a seguir.

1) Não há evidências físicas da influência humana no clima global:

A despeito de todo o sensacionalismo a respeito, não existe qualquer evidência física observada no mundo real que permita demonstrar que as mudanças climáticas globais, ocorridas desde a revolução industrial do século XVIII, sejam anômalas em relação às ocorridas anteriormente, no passado histórico e geológico – anomalias que, se ocorressem, caracterizariam a influência humana.

Todos os prognósticos que indicam elevações exageradas das temperaturas e dos níveis do mar, nas décadas vindouras, além de outros efeitos negativos atribuídos ao lançamento de compostos de carbono de origem humana (antropogênicos) na atmosfera, baseiam-se em projeções de modelos matemáticos, que constituem apenas simplificações limitadas do sistema climático – e, portanto, não deveriam ser usados para fundamentar políticas públicas e estratégias de longo alcance e com grandes impactos socioeconômicos de âmbito global.

A influência humana no clima restringe-se às cidades e seus entornos, em situações específicas de calmarias, sendo estes efeitos bastante conhecidos, mas sem influência em escala planetária. Para que a ação humana no clima global ficasse demonstrada, seria preciso que, nos últimos dois séculos, estivessem ocorrendo níveis inusitadamente altos de temperaturas e níveis do mar e, principalmente, que as suas taxas de variação (gradientes) fossem superiores às verificadas anteriormente.

O relatório de 2007 do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) registra que, no período 1850-2000, as temperaturas aumentaram 0,74°C, e que, entre 1870 e 2000, os níveis do mar subiram 0,2 m.

Ora, ao longo do Holoceno, a época geológica correspondente aos últimos 12.000 anos em que a civilização tem existido, houve diversos períodos com temperaturas mais altas que as atuais. No Holoceno Médio, há 5.000-6.000 anos, as temperaturas médias chegaram a ser 2-3°C superiores às atuais, enquanto os níveis do mar atingiam até 3 metros acima do atual. Igualmente, nos períodos quentes conhecidos como Minoano (1500-1200 a.C.), Romano (séc. VI a.C.-V d.C.) e Medieval (séc. X-XIII d.C.), as temperaturas atingiram mais de 1°C acima das atuais.

Quanto às taxas de variação desses indicadores, não se observa qualquer aceleração anormal delas nos últimos dois séculos. Ao contrário, nos últimos 20.000 anos, desde o início do degelo da última glaciação, houve períodos em que as variações de temperaturas e níveis do mar chegaram a ser uma ordem de grandeza mais rápidas que as verificadas desde o século XIX.

Entre 12.900 e 11.600 anos atrás, no período frio denominado Dryas Recente, as temperaturas caíram cerca de 8°C em menos de 50 anos e, ao término dele, voltaram a subir na mesma proporção, em pouco mais de meio século.

Quanto ao nível do mar, ele subiu cerca de 120 metros, entre 18.000 e 6.000 anos atrás, o que equivale a uma taxa média de 1 metro por século, suficiente para impactar visualmente as gerações sucessivas das populações que habitavam as margens continentais. No período entre 14.650 e 14.300 anos atrás, a elevação foi ainda mais rápida, atingindo cerca de 14 metros em apenas 350 anos – equivalente a 4 m por século.

Por conseguinte, as variações observadas no período da industrialização se enquadram, com muita folga, dentro da faixa de oscilações naturais do clima e, portanto, não podem ser atribuídas ao uso dos combustíveis fósseis ou a qualquer outro tipo de atividade vinculada ao desenvolvimento humano.

Tais dados representam apenas uma ínfima fração das evidências proporcionadas por, literalmente, milhares de estudos realizados em todos os continentes, por cientistas de dezenas de países, devidamente publicados na literatura científica internacional. Desafortunadamente, é raro que algum destes estudos ganhe repercussão na mídia, quase sempre mais inclinada à promoção de um alarmismo sensacionalista e desorientador.

2) A hipótese “antropogênica” é um desserviço à ciência:

A boa prática científica pressupõe a busca permanente de uma convergência entre hipóteses e evidências. Como a hipótese do aquecimento global antropogênico (AGA) não se fundamenta em evidências físicas observadas, a insistência na sua preservação representa um grande desserviço à ciência e à sua necessária colocação a serviço do progresso da humanidade.

A história registra numerosos exemplos dos efeitos nefastos do atrelamento da ciência a ideologias e outros interesses restritos. Nos países da antiga URSS, as ciências biológicas e agrícolas ainda se ressentem das consequências do atraso de décadas provocado pela sua subordinação aos ditames e à truculência de Trofim D. Lysenko, apoiado pelo ditador Josef Stálin e seus sucessores imediatos, que rejeitava a genética, mesmo diante dos avanços obtidos por cientistas de todo o mundo, inclusive na própria URSS, por considerá-la uma ciência “burguesa e antirrevolucionária”. O empenho na imposição do AGA, sem as devidas evidências, equivale a uma versão atual do”lysenkoísmo”, que tem custado caro à humanidade, em recursos humanos, técnicos e econômicos desperdiçados com um problema inexistente.

Ademais, ao conferir ao dióxido de carbono (CO2) e outros gases produzidos pelas atividades humanas o papel de principais protagonistas da dinâmica climática, a hipótese do AGA simplifica e distorce um processo extremamente complexo, no qual interagem fatores astrofísicos, atmosféricos, geológicos, geomorfológicos, oceânicos e biológicos, que a ciência apenas começa a entender em sua abrangência.

Um exemplo dos riscos dessa simplificação é a possibilidade real de que o período até a década de 2030 experimente um considerável resfriamento, em vez de aquecimento, devido ao efeito combinado de um período de baixa atividade solar e de uma fase de resfriamento do oceano Pacífico (Oscilação Decadal do Pacífico, ODP), em um cenário semelhante ao verificado entre 1947-1976. Vale observar que, naquele intervalo, o Brasil experimentou uma redução de 10-30% nas chuvas, o que acarretou problemas de abastecimento de água e geração elétrica, além de um aumento das geadas fortes, que muito contribuíram para erradicar o café no Paraná. Se tais condições se repetirem, o País poderá ter sérios problemas, inclusive, nas áreas de expansão da fronteira agrícola das regiões Centro-Oeste e Norte e na geração hidrelétrica (particularmente, considerando a proliferação de reservatórios “a fio d’água”,impostos pelas restrições ambientais).

A propósito, o decantado limite de 2°C para a elevação das temperaturas, que, supostamente, não poderia ser superado e tem justificado todas as restrições propostas para os combustíveis fósseis, também não tem qualquer base científica: trata-se de uma criação “política” do físico Hans-Joachim Schellnhuber, assessor científico do governo alemão, como admitido por ele próprio, em uma entrevista à revista Der Spiegel (17/10/2010).

3) O alarmismo climático é contraproducente:

O alarmismo que tem caracterizado as discussões sobre as mudanças climáticas é extremamente prejudicial à atitude correta necessária frente a elas, que deve ser orientada pelo bom senso e pelo conceito de resiliência, em lugar de submeter as sociedades a restrições tecnológicas e econômicas absolutamente desnecessárias.

No caso, resiliência significa a flexibilidade das condições físicas de sobrevivência e funcionamento das sociedades, além da capacidade de resposta às emergências, permitindo-lhes reduzir a sua vulnerabilidade às oscilações climáticas e outros fenômenos naturais potencialmente perigosos. Tais requisitos incluem, por exemplo, a redundância de fontes alimentícias (inclusive a disponibilidade de sementes geneticamente modificadas para todas as condições climáticas), capacidade de armazenamento de alimentos, infraestrutura de transportes, energia e comunicações e outros fatores.

Portanto, o caminho mais racional e eficiente para aumentar a resiliência da humanidade, diante das mudanças climáticas inevitáveis, é a elevação geral dos seus níveis de desenvolvimento e progresso aos patamares permitidos pela ciência e pela tecnologia modernas.

Além disso, o alarmismo desvia as atenções das emergências e prioridades reais. Um exemplo é a indisponibilidade de sistemas de saneamento básico para mais da metade da população mundial, cujas consequências constituem, de longe, o principal problema ambiental do planeta. Outro é a falta de acesso à eletricidade, que atinge mais de 1,5 bilhão de pessoas, principalmente, na Ásia, África e América Latina.

No Brasil, sem mencionar o déficit de saneamento, grande parte dos recursos que têm sido alocados a programas vinculados às mudanças climáticas, segundo o enfoque da redução das emissões de carbono, teria uma destinação mais útil à sociedade se fossem empregados na correção de deficiências reais, como: a falta de um satélite meteorológico próprio (de que dispõem países como a China e a Índia); a ampliação e melhor distribuição territorial da rede de estações meteorológicas, inferior aos padrões recomendados pela Organização Meteorológica Mundial, para um território com as dimensões do brasileiro; o aumento do número de radares meteorológicos e a sua interligação aos sistemas de defesa civil; a consolidação de uma base nacional de dados climatológicos, agrupando os dados de todas as estações meteorológicas do País, muitos dos quais sequer foram digitalizados.

4) A “descarbonização” da economia é desnecessária e economicamente deletéria:

Uma vez que as emissões antropogênicas de carbono não provocam impactos verificáveis no clima global, toda a agenda da”descarbonização” da economia, ou “economia de baixo carbono”, se torna desnecessária e contraproducente – sendo, na verdade, uma pseudo-solução para um problema inexistente. A insistência na sua preservação, por força da inércia do status quo, não implicará em qualquer efeito sobre o clima, mas tenderá a aprofundar os seus numerosos impactos negativos.

O principal deles é o encarecimento desnecessário das tarifas de energia e de uma série de atividades econômicas, em razão de: a) os pesados subsídios concedidos à exploração de fontes energéticas de baixa eficiência, como a eólica e solar – ademais, inaptas para a geração elétrica de base (e já em retração na União Europeia, que investiu fortemente nelas); b) a imposição de cotas e taxas vinculadas às emissões de carbono, como fizeram a Austrália, sob grande rejeição popular, e a União Europeia, para viabilizar o seu mercado de créditos de carbono; c) a imposição de medidas de captura e sequestro de carbono (CCS) a várias atividades.

Os principais beneficiários de tais medidas têm sido os fornecedores de equipamentos e serviços de CCS e os participantes dos intrinsecamente inúteis mercados de carbono, que não têm qualquer fundamento econômico real e se sustentam tão somente em uma demanda artificial criada sobre uma necessidade inexistente. Vale acrescentar que tais mercados têm se prestado a toda sorte de atividades fraudulentas, inclusive, no Brasil, onde autoridades federais investigam contratos de carbono ilegais envolvendo tribos indígenas, na Amazônia, e a criação irregular de áreas de proteção ambiental para tais finalidades escusas, no estado de São Paulo.

5) É preciso uma guinada para o futuro:

Pela primeira vez na história, a humanidade detém um acervo de conhecimentos e recursos físicos, técnicos e humanos, para prover a virtual totalidade das necessidades materiais de uma população ainda maior que a atual. Esta perspectiva viabiliza a possibilidade de se universalizar – de uma forma inteiramente sustentável – os níveis gerais de bem-estar usufruídos pelos países mais avançados, em termos de infraestrutura de água, saneamento, energia, transportes, comunicações, serviços de saúde e educação e outras conquistas da vida civilizada moderna. A despeito dos falaciosos argumentos contrários a tal perspectiva, os principais obstáculos à sua concretização, em menos de duas gerações, são mentais e políticos, e não físicos e ambientais.

Para tanto, o alarmismo ambientalista, em geral, e climático, em particular, terá que ser apeado do seu atual pedestal de privilégios imerecidos e substituído por uma estratégia que privilegie os princípios científicos, o bem comum e o bom senso.

A conferência Rio+20 poderá ser uma oportuna plataforma para essa necessária reorientação.

Kenitiro Suguio

Geólogo, Doutor em Geologia Professor Emérito do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP)

Membro titular da Academia Brasileira de Ciências

Luiz Carlos Baldicero Molion

Físico, Doutor em Meteorologia e Pós-doutor em Hidrologia de Florestas Pesquisador Sênior (aposentado) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

Professor Associado da Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

Fernando de Mello Gomide

Físico, Professor Titular (aposentado) do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA)

Co-autor do livro Philosophy of Science: Brief History (Amazon Books, 2010, com Marcelo Samuel Berman)

José Bueno Conti

Geógrafo, Doutor em Geografia Física e Livre-docente em Climatologia

Professor Titular do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP)

Autor do livro Clima e Meio Ambiente (Atual, 2011)

José Carlos Parente de Oliveira

Físico, Doutor em Física e Pós-doutor em Física da Atmosfera Professor Associado (aposentado) da Universidade Federal do Ceará (UFC)

Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE)

Francisco Arthur Silva Vecchia

Engenheiro de Produção, Mestre em Arquitetura e Doutor em Geografia Professor Associado do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos (USP)

Diretor do Centro de Recursos Hídricos e Ecologia Aplicada (CRHEA)

Ricardo Augusto Felicio

Meteorologista, Mestre e Doutor em Climatologia

Professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP)

Antonio Jaschke Machado

Meteorologista, Mestre e Doutor em Climatologia

Professor do Departamento de Geografia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP)

João Wagner Alencar Castro

Geólogo, Mestre em Sedimentologia e Doutor em Geomorfologia Professor Adjunto do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Chefe do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional / UFRJ

Helena Polivanov

Geóloga, Mestra em Geologia de Engenharia e Doutora em Geologia de Engenharia e Ambiental

Professora Associada do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Gustavo Macedo de Mello Baptista

Geógrafo, Mestre em Tecnologia Ambiental e Recursos Hídricos e Doutor em Geologia

Professor Adjunto do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB)

Autor do livro Aquecimento Global: ciência ou religião? (Hinterlândia, 2009)

Paulo Cesar Soares Geólogo,

Doutor em Ciências e Livre-docente em Estratigrafia Professor Titular da Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Gildo Magalhães dos Santos Filho

Engenheiro Eletrônico, Doutor em História Social e Livre-docente em História da Ciência e Tecnologia

Professor Associado do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP)

Paulo Cesar Martins Pereira de Azevedo Branco

Geólogo, Pesquisador em Geociências (B-Sênior) do Serviço Geológico do Brasil – CPRM

Especialista em Geoprocessamento e Modelagem Espacial de Dados em Geociências

Daniela de Souza Onça

Geógrafa, Mestra e Doutora em Climatologia

Professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Marcos José de Oliveira

Engenheiro Ambiental, Mestre em Engenharia Ambiental e Climatologia Aplicada

Doutorando em Geociências Aplicadas na Universidade de Brasília (UnB)

Geraldo Luís Saraiva Lino

Geólogo, coeditor do sítio Alerta em Rede

Autor do livro A fraude do aquecimento global: como um fenômeno natural foi convertido numa falsa emergência mundial (Capax Dei, 2009)

Maria Angélica Barreto Ramos

Geóloga, Pesquisadora em Geociências (Senior) do Serviço Geológico do Brasil – CPRM

Mestre em Geociências – Opção Geoquímica Ambiental e Especialista em Geoprocessamento e Modelagem Espacial de Dados em Geociências

Locais abandonados pelo mundo

Há alguns lugares mundo afora que já foram palco de eventos históricos, grandes desastres causados pelo homem e até mesmo pacatas cidades, porém, por diversos motivos, são hoje verdadeiras cidades fantasmas.
Listamos alguns desses lugares abaixo.

Kolmanskop, Namíbia

Um dos motivos mais corriqueiros para que uma cidade seja abandonada por seus moradores são mudanças econômicas radicais. A cidade de Kolmanskop, no deserto da Namíbia, é um exemplo literal de como esse fenômeno pode criar desertos em poucos anos. Tradicional colônia alemã, dedicada ao garimpo de diamantes, ela foi gradualmente abandonada a partir da década de 1930, quando as pedras começaram a se tornar escassas. Com o fim de sua principal atividade econômica, a cidade perdeu seu último habitante em 1954. Hoje, hospital, cassino, escola e até uma discoteca, tudo em estilo alemão dos anos 20, estão tomados por areia.

Centralia, Estados Unidos 

Cidades fantasmas também nascem a partir de acidentes, como o que aconteceu em Centralia, nos EUA, em 1962. A cidade vivia principalmente da extração de minério quando, naquele ano, um incêndio atingiu o subterrâneo de minas desativadas. Até hoje, o fogo não se extinguiu e a fumaça continua brotando do chão em alguns pontos do município. Apesar disso, as pessoas só começaram a abandonar o local na década de 1980, quando notaram altas concentrações de gases tóxicos no ar, e que a temperatura do solo em algumas regiões passava de 70 graus. O governo então criou um programa de remoção das famílias locais e, hoje, menos de dez pessoas moram lá, em casas condenadas e isoladas. Até o CEP de Centralia foi revogado pelo correio americano.

Pripyat, Ucrânia

Essa era a residência da maioria dos trabalhadores da usina de Chernobyl, palco do maior acidente nuclear da história. Quando o reator explodiu, em 1986, cerca de 50 mil pessoas moravam lá. Todas elas foram obrigadas a abandonar suas casas subitamente, deixando seus pertences e sua história para trás. Atualmente, ela só recebe a visita de cientistas, que estimam que os níveis de radiação da região devem manter a zona de exclusão ativa por até nove séculos. Além deles, a cidade é visitada apenas por turistas em veículos fechados e por alguns loucos, como o brasileiro Márcio André, que em 2007 passeou ali durante seis horas, sem proteção, declamando poemas para os fantasmas locais.

Cheng Gong, China

A febre desenvolvimentista chinesa criou um tipo de cidade fantasma muito peculiar. Preocupado com o crescimento do município Kunming — polo industrial e agrícola com mais de 6 milhões de habitantes —, o governo chinês decidiu construir o distrito de Cheng Gong, a 20 minutos de carro da metrópole. Já está tudo pronto: dezenas de edifícios residenciais, condomínios de luxo, shoppings, parques e até um estádio moderno. Só que as obras andaram mais rápido que a expansão da cidade vizinha. Resultado: faltam moradores para Cheng Gong virar uma cidade de verdade, em vez de um melancólico canteiro de obras.

Oradour-Sur-Glane, França

Os moradores desse vilarejo francês não o abandonaram, mas foram cruelmente massacrados por tropas alemãs em 1944. Os militares buscavam um oficial sequestrado e entraram por engano no lugar, achando estar na vizinha Oradour-sur-Vayres, onde o desaparecido estaria. Após matar 190 homens com tiros nas pernas, os soldados atearam fogo à igreja onde 247 mulheres e 205 crianças estavam presas. Apenas uma mulher sobreviveu. Em vez de ser reconstruída, a cidade tornou-se um memorial a céu aberto.

Varosha, Chipre

Lá por volta de 1970, a cidade de Famagusta era o ponto mais visitado por turístas no Chipre. Varosha era o nome do bairro mais badalado, com sua paradisíaca praia e os principais bares e hotéis eram localizados neste bairro. Toda essa diversão acabou em 1974 com a chegada do exército turco, que invadiu a cidade expulsando qualquer alma viva que estivesse por lá. Nem mesmo a ONU consegue retomar a vida no local, que com campanhas internacionais tentam liberar o acesso aos seus antigos moradores e turistas. Quem habita a região agora, são apenas alguns membros do exército turco e seus familiares. No mapa do Google Maps dá para ver a quantidade de prédios abandonados, que sem cuidado nenhum, estão sendo engolidos pela natureza e virando ruinas aos poucos. Quem gostou disso tudo, foram as tartarugas marinhas, que adotaram a praia, e agora aproveitam a calma e fantasmagórica região.

Bodie, EUA

A cidade de Bodie, na Califónia, foi erguida devido a atividade mineradora. No ano de 1859, William Bodey descobriu uma mina de ouro na região e, em busca de uma vida melhor, muitas famílias chegaram na cidade. Os primeiros 20 mineradores tinham agora, cerca de 10 mil vizinhos. Pena que a alegria teve um fim, e após diversos incêndios na cidadela, somados com o fim do ouro fez toda galera recolher seus pertences e colocar o pé na estrada. Hoje em dia, a cidade é visitada por turistas do mundo todo. Ela foi comprada em 1962 pelo Estado da Califórnia para se tornar um parque histórico. Agora, se você, quer visitar Bodie, vá no verão, pois no inverno a principal estrada que leva a cidadezinha abandonada está cheia de neve e conseqüentemente bloqueada.

Gunkanjima, Japão

O nome do lugar abandonado é ilha Hashima, mas ela é mais conhecida como Gunkanjima, que significa Ilha do Navio de Guerra (devido ao seu formato). Ela está localizada no sul do Japão, a cerca de 20 km da cidade de Nagasaki. A origem do nome, deve-se as inúmeras barreiras de concreto e dos altos prédios que faziam a ilhota parecer um navio de guerra. No ano de 1974, todos os habitantes foram obrigados a deixar o local por ordem do governo, devido a escassez de recursos naturais e consequentemente ao fechamento da mina de carvão local, fazendo 5200 trabalhadores e suas respectivas famílias fazerem as malas e partirem em busca de uma nova vida. A cidade de Nagasaki, que é a atual proprietária de Gunkanjima, pretende tranformar os 6,3 hectares da cidade fantasma em um popular centro turístico, e já gastou cerca de 100 milhões de ienes construindo piers e passarelas para os visitantes. Enquanto a ilha não retorna à vida, o acesso a Gunkanjima é proibido.

Via Galileu, Underflash

País começa a explorar energia limpa das ondas

EcoTecnologia

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O país começa este mês sua primeira grande experiência para aproveitar a energia das ondas do mar. A primeira usina de ondas da América Latina funciona no porto do Pecém, a 60 quilômetros de Fortaleza e será lançada oficialmente durante a Rio+20. Para os pesquisadores, o local é um laboratório em escala real onde serão ampliados os horizontes da produção energética limpa e renovável.

O potencial é grande, asseguram. O litoral brasileiro, de cerca de 8 mil quilômetros de extensão, é capaz de receber usinas de ondas que produziriam 87 gigawatts. Na prática, de acordo com especialistas da Coppe, que desenvolve a tecnologia, é possível converter cerca de 20% disto em energia elétrica, o que equivaleria a 17% da capacidade total instalada no país.

Fronteira estratégica para a tecnologia

Antes de pensar em mais usinas no litoral brasileiro, porém, é preciso testar conceitos e comprovar tanto a viabilidade quanto a confiabilidade do projeto, que é financiado pela Tractebel Energia através do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica, com o apoio do governo do Ceará.

Dois enormes braços mecânicos foram instalados no píer do porto do Pecém. Na ponta de cada um deles, em contato com a água do mar, há uma bóia circular. Conforme as ondas batem, a estrutura sobe e desce. O movimento contínuo dos flutuadores aciona bombas hidráulicas, que fazem com que a água doce contida em um circuito fechado, no qual não há troca de líquido com o ambiente, circule em um ambiente de alta pressão.

— Fazendo uma analogia com uma usina hidrelétrica, em vez de termos uma queda d’água, temos isso de forma concentrada em dispositivos relativamente pequenos, onde a pressão simula cascatas extremas de 200 a 400 metros — explica Segen Estefen, professor de Engenharia Oceânica da Coppe. — A água sob pressão vai para um acumulador, que tem água e ar comprimidos em uma câmara hiperbárica, que é o pulmão do dispositivo.

O mar tem sido encarado pelos pesquisadores da Coppe como uma fronteira estratégica na qual o Brasil pode ser o líder tecnológico. Somente no projeto da usina de ondas, foram investidos R$ 15 milhões em quatro anos.

O Ceará não foi escolhido aleatoriamente. Sua grande vantagem estratégica é a constância dos ventos alísios, resultado da rotação da Terra. O movimento do ar gera ondas regulares no mar brasileiro. Elas não são grandes, mas estão sempre batendo. Poder contar com o movimento praticamente o tempo todo aumenta a eficiência da nova usina.

— Há alguns anos, o Brasil, por suas características, não era incluído em debates ou fóruns internacionais. Hoje, entendemos que não basta ter ondas grandes. Elas atuam em somente 20% do ano. Já as nossas batem de forma constante em mais do que 70% do ano — afirma Estefen. — Desenvolvemos o domínio tecnológico para atividades que, nas próximas décadas, vão acontecer cada vez mais no mar, que cobre 71% das superfície do planeta.

Ainda há um longo caminho a ser percorrido para que as usinas de onda passem a fazer parte da paisagem brasileira. Os especialistas evitam compará-las às hidrelétricas, que, em geral, têm custo de produção quatro vezes menor.

Na corrida pela viabilidade desta tecnologia, o vento é o principal concorrente. A energia eólica costuma ter a metade do custo. No entanto, os especialistas esperam uma redução de custos com aumento da escala de produção das usinas de ondas.

— Em alguns locais, há grande vantagem estratégica para a usina de ondas. Por exemplo, há estudos para o arquipélago de Fernando de Noronha, onde a energia vem da queima de diesel. Isso leva a riscos ambientais, inclusive em relação ao transporte do combustível — ressalta o especialista da Coppe.

Estação abastecerá o próprio porto de Pecém

Por outro lado, barreiras legais, além do custo, se interpõem no caminho das usinas de ondas. Algumas das localidades consideradas de grande potencial energético são preservadas por leis ambientais. Nestes casos, seria necessário alterar a legislação, num processo que costuma suscitar muita polêmica e, muitas vezes, resistência de associações locais.

— Há limitações para colocar dispositivos de conversão em áreas de preservação ambiental. Temos que levar em conta os benefícios da usina de ondas e os riscos ambientais que já existem hoje — alerta Estefan. — Dependendo do local, apesar do custo de implantação, a usina de ondas se torna mais competitiva. O Reino Unido entra com força nesta tecnologia porque julga fundamental ter fontes de energia alternativas ao petróleo. Daqui a dez anos, eles querem garantir que 20% de suas fontes sejam renováveis.

A energia gerada em Pecém será consumida no próprio porto. Mas já há planos de ampliação da quantidade de braços mecânicos com bóias, que captam a energia do mar convertida em eletricidade. Toda a estrutura é feita em módulos, que podem ser acrescentados para aumentar a potência. Basta acrescentar flutuadores.

Via O Globo

O Mar de Aral

Mar de Aral, em 1989 e 2008

O Mar de Aral era um lago de água salgada, localizado na Ásia Central, entre as províncias cazaques de Aqtöbe e Qyzylorda (ao norte), e a região autônoma usbeque de Caracalpaquistão (ao sul). O nome (em português, Mar das Ilhas) refere-se à grande quantidade de ilhas presentes em seu leito (mais de 1500). Ele já foi o quarto maior lago do mundo com 68.000 km² de superfície (o que equivale à área dos estados do Rio de Janeiro e Alagoas juntos) e 1.100 km³ de volume de água. Hoje, já perdeu dois terços da sua área de superfície.

O mar fica numa região de terras áridas e semi-áridas, e por isso mesmo a irrigação artificial lá é muito antiga: há indícios de que ela já era usada há mais de dois mil anos, sempre de forma sustentável. Suas águas salgadas eram abastecidas principalmente por dois extensos rios, o Syr Darya e o Amu Darya, cujas bacias hidrográficas se estendem por outros países vizinhos – o Tadjiquistão, o Quirguistão e o Turcomenistão, além do Afeganistão e do Irã –, cobrindo uma área total que beira os dois milhões de quilômetros quadrados. Esses rios mantinham baixa a concentração de minerais na água, permitindo a existência de um ecossistema aquático, que garantia o sustento de mais de 60 mil pescadores.

Hoje, o mar se transformou em uma porção de água poluída e ultrassalgada, que recobre uma área equivalente a 10% da original. Em alguns pontos, o litoral chegou a recuar mais de 100 quilômetros, tornando o que antes era água, em um grande areal. A culpa desse desastre ambiental é 100% humana. O mar começou a secar após o desvio dos rios Amu e Syr para irrigar lavouras da União Soviética (URSS), nos anos 1960. Apenas 15 anos após o desvio, o nível de água já havia caído tanto que o mar se dividira em dois. Como não era mais irrigado por rios, ele também se tornou supersaturado e, pior, a água que resta acabou ficando extremamente poluída pelos agrotóxicos que escorriam das lavouras.

Carcaças de navios jazem agora sobre o leito seco do Mar de Aral

Essas mudanças destruíram o ecossistema do Aral. Das 32 espécies de peixes que viviam ali, restaram apenas 6, e das 319 espécies de aves que habitavam suas margens, cerca de 160 ainda resistem no local. Além de afetar a vida dos animais, a insalubridade também prejudica o homem. A areia poluída do leito seco do Aral voa quilômetros com o vento, afetando populações da área. O resultado disso foi o crescimento de incidências de doenças respiratórias, do fígado e dos rins e câncer da garganta e do esôfago. Para se ter uma ideia, a expectativa de vida da população local caiu de 65 para 61 anos.

Porém, não se pode negar que houve algum sucesso nessa empreitada: entre 1960 e 1980, a região respondeu por um aumento de 70% na produção total de algodão da União Soviética, e até hoje o Usbequistão se destaca como potência algodoeira. Mas o custo social, econômico e ambiental desse feito é incalculável.

Clique na imagem para ver a animação que representa o mar de Aral ao longo dos anos

Até 1960, a situação se manteve relativamente estável, mesmo com a irrigação tomando dos rios (e desperdiçando a maior parte no deserto, por deficiências estruturais das obras e pela evaporação) quase 50% do fluxo de suas águas. A partir daí, porém, o nível médio do mar começou a cair. Entre 1960 e 1969, eram 20 centímetros anuais, que passaram para 60 centímetros na década de 1970 e um metro nos anos 1980. Foi nos primeiros anos dessa década, aliás, que o volume de água recebido pelo Aral chegou a zero. Até então, o governo soviético não dava a devida importância ao que andava acontecendo naquele canto da Ásia Central. Falava-se inclusive – com a arrogância típica das ditaduras – em inverter o fluxo do Rio Ob, que deixaria de desembocar no Oceano Ártico para despejar as suas águas na região do Aral.

Infelizmente, especialistas consideram que é praticamente impossível que o mar de Aral recupere a vida que tinha há cinquenta anos. Ao que parece, hoje é mais fácil corrigir os problemas de salinidade e poluição em cada parte isoladamente. E é o que está acontecendo. Para tentar revitalizar o mar, o Cazaquistão realizou uma experiência na parte norte, no Pequeno Aral, construindo um grande dique para reter a água naquela região. Em menos de oito meses, o nível de água já havia subido dois metros, aumentando a área em 500 quilômetros quadrados e diminuindo a concentração de sal. Os peixes voltaram e a pesca também.

Mas, essa iniciativa parece ser isolada. Para as partes mais ao sul, no chamado Grande Aral, as perspectivas não são boas. Essa região exige obras maiores e mais caras e dependem de acordos entre nações que dividem a bacia do rio Amu.

Fonte: Revista Planeta, Guia do Estudante, Planeta Sustentável, Brasil Escola, Wikipédia, O Buteco da net

Aquífero na Amazônia pode ser o maior do mundo.

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) apresentou um estudo que aponta o Aquífero Alter do Chão como o de maior volume de água potável do mundo. A reserva subterrânea está localizada sob os estados do Amazonas, Pará e Amapá e tem volume de 86 mil km³ de água doce, o que seria suficiente para abastecer a população mundial em cerca de 100 vezes, ainda de acordo com a pesquisa. Novos levantamentos de campo devem ser feitos na região para avaliar a possibilidade de o aquífero ser ainda maior do que o calculado inicialmente pelos geólogos.

Em termos comparativos, a reserva Alter do Chão tem quase o dobro do volume de água potável que o Aquífero Guarani – com 45 mil km³ de volume -, até então considerado o maior do país e que passa pela Argentina, Paraguai e Uruguai. “Os estudos que temos são preliminares, mas há indicativos suficientes para dizer que se trata do maior aquífero do mundo, já que está sob a maior bacia hidrográfica do mundo, que é a do Amazonas/Solimões. O que nos resta agora é convencer toda a cadeia científica do que estamos falando”, disse Milton Matta, geólogo da UFPA.

O Aquífero Alter do Chão deve ter o nome mudado por ser homônimo de um dos principais pontos turísticos do Pará, o que costuma provocar enganos sobre a localização da reserva de água. “Estamos propondo que passe a se chamar Aquífero Grande Amazônia e assim teria uma visibilidade comercial mais interessante”, disse Matta, que coordenou a pesquisa e agora busca investimento para concluir a segunda etapa do estudo no Banco Mundial e outros patrocinadores científicos.

De gota em gota

O geólogo informou que a segunda etapa de pesquisa será a visita aos poços já existentes na região do aquífero. “Pretendemos avaliar o potencial de vazão. Dessa maneira teremos como mensurar a capacidade de abastecimento da reserva e calcular a melhor forma de exploração da água, de maneira que o meio ambiente não seja comprometido”, disse

Para Marco Antonio Oliveira, superintendente do Serviço Geológico do Brasil, em Manaus, a revelação de que o Aquífero Alter do Chão é o maior do mundo comprova que esse tipo de reserva segue a proporção de tamanho da Bacia Hidrográfica que fica acima dela. “Cerca de 40% do abastecimento de água de Manaus é originário do Aquífero Alter do Chão. As demais cidades do Amazonas têm 100% do abastecimento tirado da reserva subterrânea. São Paulo, por exemplo, tem seu abastecimento em torno de 30% vindo do Aquífero Guarani.”

Oliveira disse que a reserva, na área que corresponde a Manaus, já está muito contaminada. “É onde o aquífero aflora e também onde a coleta de esgoto é insuficiente. Ainda é alto o volume de emissão de esgoto ‘in natura’ nos igarapés da região.”

Recuperação da reserva

Oliveira faz um alerta para a exploração comercial da água no Aquífero Alter do Chão. “A água dessa reserva é potável, o que demanda menos tratamento químico. Por outro lado, a médio e longo prazo, a exploração mais interessante é da água dos rios, pois a recuperação da reserva é mais rápida. A vazão do Rio Amazonas é de 200 mil m³/segundo. É muita água. Já nas reservas subterrâneas, a recarga é muito mais lenta.

Ele destaca a qualidade da água que pode ser explorada no Alter do Chão. “A região amazônica é menos habitada e por isso menos poluente. No Guarani, há um problema sério de flúor, metais pesados e inseticidas usados na agricultura. A formação rochosa é diferente e filtra menos a água da superfície. No Alter do Chão as rochas são mais arenosas, o que permite uma filtragem da recarga de água na reserva subterrânea”, disse Oliveira.

Via G1

Por que a Amazônia não é o pulmão do mundo?

Mapa da ecorregião amazônica definida pelo WWF. A linha amarela abrange a bacia de drenagem da Amazônia. As fronteiras nacionais mostradas em preto. Imagem de satélite da NASA.

Muitas vezes já ouvimos falar que a Amazônia é o pulmão do mundo, passando a idéia de que esta floresta teria um importante papel no fornecimento de oxigênio ao planeta.

Neste sentido, o simples fato de atribuir à Amazônia o termo “pulmão do mundo” já pode ser considerado um equívoco, pois um pulmão apenas consome, e não produz oxigênio. Além disso, em uma floresta tropical como a Amazônia, o saldo entre o que ela produz de oxigênio e o que consome é praticamente neutro.

Durante o dia, a vegetação da floresta libera oxigênio e absorve gás carbônico através da fotossíntese, processo que se inverte durante a noite, quando ocorre a respiração florestal, com a absorção de oxigênio e a liberação de gás carbônico. Porém, essa conta (se haverá mais produção do que absorção de CO2 ou O2) nem sempre é perfeita e o resultado está associado a outros processos, como as queimadas e o reflorestamento ou expansão da área florestada.

Em outras partes do mundo, existem organismos que têm saldo final positivo de produção de oxigênio, como nas regiões oceânicas ricas em plânctons, Mesmo assim, há bilhões de anos a concentração deste gás em nossa atmosfera se mantém em equilíbrio, em torno de 20% do total.

Podemos afirmar que a Amazônia, assim como as outras florestas do mundo, não desempenham a função de reguladores dos níveis de oxigênio. Sua importância, para nós, está associada a prestação de outros serviços, que influenciam diretamente no clima do planeta e em nossas vidas. Um exemplo disso é a regulação das chuvas.

Para se ter uma idéia, a Amazônia, maior floresta tropical do planeta, estoca sozinha cerca de 20% de toda a água doce disponível do mundo e grande parte dessa água, quando evaporada, forma nuvens que migram para toda a América do Sul, definindo o regime de precipitações não só nessa região, mas também em outros continentes.
Para o Brasil, esta função exercida pela floresta é extremamente importante, pois a maioria da energia gerada em nosso país vem de hidrelétricas, cujos reservatórios são abastecidos, em grande parte, pela água destas chuvas. A regularidade e abundância destas precipitações também são responsáveis por proporcionar ao nosso país uma excelente condição climática, que faz do Brasil um dos principais produtores de alimentos do mundo. No Estado de SP, por exemplo, cerca de 70% das precipitações nos períodos mais chuvosos provêm diretamente da Amazônia.

Além disso, a atmosfera amazônica serve como um filtro de poluentes, removendo do ar oxidantes como o ozônio e óxidos de nitrogênio através de mecanismos químico-físicos regulatórios.

A formação vegetal desta floresta também funciona como um grande estoque de carbono, principal gás causador do aquecimento global. Estima-se que a Amazônia abrigue cerca de 80 bi de ton. de carbono, equivalente a uma década de emissões desses gases pela humanidade nos padrões atuais.

Infelizmente, apesar de sua importância, hoje, mais de 17% da Amazônia (aproximadamente 720 mil quilômetros quadrados) já foram desmatados, uma área 16 vezes maior que o estado do Rio de Janeiro.  Zerar o desmatamento desta floresta, além de garantir sua sobrevivência, é uma das maiores contribuições que o Brasil pode dar à estabilidade do clima no planeta.

Via Planeta Terra

Minerais

Os minerais são sólidos homogêneos, portanto têm forma própria e não fluem espontaneamente, em oposição aos líquidos e gases.

Eles são formados por processos naturais, o que exclui as substâncias sintéticas ou artificiais, mesmo quando estas apresentam as mesmas características de seus equivalentes naturais. O gelo das geleiras, por exemplo, é um mineral, já o gelo produzido em refrigeradores é um equivalente sintético do gelo natural. Na fala cotidiana, entretanto, os compostos sintéticos recebem em geral os mesmos nomes de seus equivalentes naturais.

Os minerais são inorgânicos, o que exclui as substâncias cristalinas biogênicas. Por exemplo, as conchas carbonáticas que encontramos nas prais podem ter a mesma composição química e a mesma estrutura cristalina dos minerais, calcita ou aragonita (CaCO3), mas não são consideradas minerais, pois são formadas pelo metabolismo de organismos.

Estrutura cristalina é o nome dado ao arranjo tridimensional periódico de átomos, que gera sólidos simétricos. Se a cristalização for lenta e se houver espaço livre, os minerais desenvolvem faces planas com ângulos definidos entre si, em decorrência de sua estrutura cristalina. Mas mesmo grãos irregulares ou fragmentos de minerais que não apresentem faces regulares têm estrutura cristalina.

A composição química dos minerais varia dentro de limites definidos. Em outras palavras, a composição química dos minerais não varia de modo aleatório, porque ela é controlada pelos espaços disponíveis na estrutura cristalina e pelas valências dos íons presentes. A estrutura cristalina é o principal fator limitante da variação química de um mineral, pois os íons ocupam espaços determinados na estrutura e o tamanho destes espaços é condicionado pelos próprios raios dos íons predominantes.

Estudo revela que ilhas do Pacífico estão crescendo, não afundando

Um novo estudo geológico revela que ilhas do Pacífico que se acreditava estarem ameaçadas pelo aumento do nível do mar na verdade estão crescendo, e não afundando.

As ilhas de Tuvalu, Kiribati e da Micronésia estão entre as que cresceram, devido ao acúmulo de restos de corais e sedimentos. O estudo, publicado na revista New Scientist, prevê que essas ilhas ainda existirão dentro de 100 anos.

No entanto, ainda não está claro até que ponto elas serão habitáveis.

Prognóstico ‘incorreto’

Nos últimos anos, os moradores de várias ilhas do Pacífico começaram a temer que seus países natais fossem varridos do mapa devido ao aumento do nível do mar.

Mas esse estudo sobre 27 ilhas, feito ao longo dos últimos 60 anos, sugere que a maioria permaneceu estável, enquanto algumas, na verdade, cresceram.

Usando fotos históricas e imagens de satélite, os geólogos descobriram que 80% das ilhas permaneceram iguais ou aumentaram – em alguns casos, dramaticamente.

Eles afirmam que iso se deve ao acúmulo de detritos de corais e sedimentos.

O professor Paulo Kench, da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, diz que as ilhas não sofrem risco imediato de extinção.

“Esse prognóstico bastante sombrio para essas nações está incorreto”, disse ele, um dos participantes do estudo. “Agora temos provas para sugerir que a base física desses países ainda estará lá dentro de 100 anos, então talvez eles não tenham que deixar seus países”.

Mas apesar de as ilhas poderem continuar existindo, isso não significa que elas serão habitáveis no longo prazo, e os cientistas acreditam que futuros aumentos no nível do mar representem um perigo significativo para o modo de vida dos habitantes de Tuvalu, Kiribati, e dos Estados Federados da Micronésia.

Um cientista em Kiribati afirma que a população não deve ser levada a acreditar que cheias e erosão da costa sejam ameaças menores.

via BBC Brasil

Em pesquisa sobre consumo sustentável, Brasil fica em segundo lugar

Repetindo a colocação do ano passado, o Brasil ficou em segundo lugar, atrás apenas da Índia, na pesquisa Greendex 2009 que consultou consumidores de 17 países do mundo, afim de medir o seu comportamento em relação ao meio ambiente. Os estudos foram realizados pela National Geographic Society, em conjunto com o instituto de pesquisas GlobeScan, e divulgados nesta quinta-feira.

Para a avaliação foram levados em conta os critérios de tipo de habitação, gastos energéticos, alimentação e transporte dos habitantes consultados, além de conservação, redução da produção de lixo e proteção dos recursos naturais locais.

No quesito alimentação o Brasil teve o seu pior desempenho, ficando em 16º lugar. O baixo rendimento é devido à alta taxa de consumo de carne de vaca (60% das pessoas come mais de uma vez por semana), além de os brasileiros serem os que menos se alimentam de frutas, legumes e verduras. Ainda, 35% dos habitantes utiliza algum produto importado na refeição pelo menos uma vez por semana.

Assim como no Greendex 2008, o Brasil manteve o primeiro lugar no quesito “moradia”. As explicações são várias: 91% dos brasileiros vivem em casas com quatro ou menos cômodos, as casas do país tem maior número de aquecedores por demanda de toda a pesquisa, a incidência de aparelhos de ar-condicionado é 11% mais baixa que a média (31% contra 42%). Além disso, os habitantes do Brasil são os que mais dizem que compram energia considerada ‘verde’, 60% contra os 22% da média, e, à exceção da Austrália, o Brasil é o país onde mais se lava roupa com água fria para economia de energia.

Em “transporte”, o país pulou da sétima para a sexta colocação. Ficando atrás dos indianos e dos chineses, o Brasil tem cerca de 10% mais motos que a média (28% contra 18%). Os consumidores daqui são os que mais vivem perto dos lugares onde costumam visitar e, junto com o México, é o país que mais possui carros compactos, 57% contra a média de 34%. Poucos brasileiros vão aos seus destinos sozinhos em um automóvel, apenas 44%, quando a média é 55% e, em relação ao transporte público, 55% dos habitantes usam pelo menos uma vez por semana, o que representa 8% acima da média.

Os consumidores brasileiros subiram do sétimo para o quarto lugar no subíndice de “bens”. Dos entrevistados, os brasileiros são os que menos relataram posse de eletrodomésticos (apenas 48%) e foram os que mais disseram consumir produtos sustentáveis (46%). O que pesa para que o Brasil não esteja algumas posições acima é o fato de as pessoas preferirem comprar aparelhos novos, a consertar algum quebrado e utilizar mais produtos descartáveis, do que os reaproveitáveis. O aumento do valor dos produtos sustentáveis, em relação aos comuns, também é um dos agravantes.

As atitudes dos brasileiros comprovam que o meio ambiente não é a preocupação numero um dos consumidores. Política, educação e desigualdade social são problemas maiores para os habitantes. Apesar disso, o Brasil é quem mais se preocupa com a extinção de espécies e perda do habitat dos animais (75%), além de se preocuparem com a poluição da água e do ar, as mudanças climáticas e a escassez de água doce. Quando perguntados sobre o aquecimento global, 67% dos brasileiros disseram que sua vida ia mudar para pior (22% acima da média) e se sentem culpados por conta desse problema (40%). Também estão entre os mais propensos a acreditar que os problemas ambientais têm impacto negativo sobre sua saúde (50% contra a média de 39%).

Via National Geographic Brasil

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