//
você está lendo...
Meio Ambiente

O Mar de Aral


Mar de Aral, em 1989 e 2008

O Mar de Aral era um lago de água salgada, localizado na Ásia Central, entre as províncias cazaques de Aqtöbe e Qyzylorda (ao norte), e a região autônoma usbeque de Caracalpaquistão (ao sul). O nome (em português, Mar das Ilhas) refere-se à grande quantidade de ilhas presentes em seu leito (mais de 1500). Ele já foi o quarto maior lago do mundo com 68.000 km² de superfície (o que equivale à área dos estados do Rio de Janeiro e Alagoas juntos) e 1.100 km³ de volume de água. Hoje, já perdeu dois terços da sua área de superfície.

O mar fica numa região de terras áridas e semi-áridas, e por isso mesmo a irrigação artificial lá é muito antiga: há indícios de que ela já era usada há mais de dois mil anos, sempre de forma sustentável. Suas águas salgadas eram abastecidas principalmente por dois extensos rios, o Syr Darya e o Amu Darya, cujas bacias hidrográficas se estendem por outros países vizinhos – o Tadjiquistão, o Quirguistão e o Turcomenistão, além do Afeganistão e do Irã –, cobrindo uma área total que beira os dois milhões de quilômetros quadrados. Esses rios mantinham baixa a concentração de minerais na água, permitindo a existência de um ecossistema aquático, que garantia o sustento de mais de 60 mil pescadores.

Hoje, o mar se transformou em uma porção de água poluída e ultrassalgada, que recobre uma área equivalente a 10% da original. Em alguns pontos, o litoral chegou a recuar mais de 100 quilômetros, tornando o que antes era água, em um grande areal. A culpa desse desastre ambiental é 100% humana. O mar começou a secar após o desvio dos rios Amu e Syr para irrigar lavouras da União Soviética (URSS), nos anos 1960. Apenas 15 anos após o desvio, o nível de água já havia caído tanto que o mar se dividira em dois. Como não era mais irrigado por rios, ele também se tornou supersaturado e, pior, a água que resta acabou ficando extremamente poluída pelos agrotóxicos que escorriam das lavouras.

Carcaças de navios jazem agora sobre o leito seco do Mar de Aral

Essas mudanças destruíram o ecossistema do Aral. Das 32 espécies de peixes que viviam ali, restaram apenas 6, e das 319 espécies de aves que habitavam suas margens, cerca de 160 ainda resistem no local. Além de afetar a vida dos animais, a insalubridade também prejudica o homem. A areia poluída do leito seco do Aral voa quilômetros com o vento, afetando populações da área. O resultado disso foi o crescimento de incidências de doenças respiratórias, do fígado e dos rins e câncer da garganta e do esôfago. Para se ter uma ideia, a expectativa de vida da população local caiu de 65 para 61 anos.

Porém, não se pode negar que houve algum sucesso nessa empreitada: entre 1960 e 1980, a região respondeu por um aumento de 70% na produção total de algodão da União Soviética, e até hoje o Usbequistão se destaca como potência algodoeira. Mas o custo social, econômico e ambiental desse feito é incalculável.

Clique na imagem para ver a animação que representa o mar de Aral ao longo dos anos

Até 1960, a situação se manteve relativamente estável, mesmo com a irrigação tomando dos rios (e desperdiçando a maior parte no deserto, por deficiências estruturais das obras e pela evaporação) quase 50% do fluxo de suas águas. A partir daí, porém, o nível médio do mar começou a cair. Entre 1960 e 1969, eram 20 centímetros anuais, que passaram para 60 centímetros na década de 1970 e um metro nos anos 1980. Foi nos primeiros anos dessa década, aliás, que o volume de água recebido pelo Aral chegou a zero. Até então, o governo soviético não dava a devida importância ao que andava acontecendo naquele canto da Ásia Central. Falava-se inclusive – com a arrogância típica das ditaduras – em inverter o fluxo do Rio Ob, que deixaria de desembocar no Oceano Ártico para despejar as suas águas na região do Aral.

Infelizmente, especialistas consideram que é praticamente impossível que o mar de Aral recupere a vida que tinha há cinquenta anos. Ao que parece, hoje é mais fácil corrigir os problemas de salinidade e poluição em cada parte isoladamente. E é o que está acontecendo. Para tentar revitalizar o mar, o Cazaquistão realizou uma experiência na parte norte, no Pequeno Aral, construindo um grande dique para reter a água naquela região. Em menos de oito meses, o nível de água já havia subido dois metros, aumentando a área em 500 quilômetros quadrados e diminuindo a concentração de sal. Os peixes voltaram e a pesca também.

Mas, essa iniciativa parece ser isolada. Para as partes mais ao sul, no chamado Grande Aral, as perspectivas não são boas. Essa região exige obras maiores e mais caras e dependem de acordos entre nações que dividem a bacia do rio Amu.

Fonte: Revista Planeta, Guia do Estudante, Planeta Sustentável, Brasil Escola, Wikipédia, O Buteco da net

Anúncios

Discussão

2 comentários sobre “O Mar de Aral

  1. Surgiu o Mar de Aral?
    E Por que secou???

    Publicado por Maithe Barsch | 17/09/2012, 14:53
  2. qual o motivo do desuvio dos rios amu darva e ser darva?

    Publicado por lola | 18/03/2015, 17:12

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: