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Astronomia, Ciência

O Universo, a vida e nosso ser.


É difícil perceber, quando observamos a paisagem harmoniosa terrestre, que os elementos básicos para a formação do nosso planeta e da própria vida foram majoritariamente forjados durante eventos de extrema violência como a desintegração de uma estrela supernova, ou mesmo que o processo de formação de uma estrela e seus planetas também foi marcado por colisões catastróficas. Nossos planetas vizinhos, Vênus e Marte, são dois extremos de locais inóspitos. Vênus é extremamente quente e ácido e Marte, extremamente frio e árido. Em ambos, o ar é irrespirável. Mas o cenário nem sempre foi este, tampouco continuará sendo. No passado, Marte teve água abundante e temperatura amena, quem sabe suficientes para abrigar vida, ainda que simples. Vênus pagou um preço caro por estar próximo do Sol; entrou em um ciclo incontrolado de aquecimento em decorrência do efeito estufa.

Quanto mais envelhece, mais quente o Sol se torna e chegará um momento que a temperatura na Terra será elevada demais para permitir a sobrevivência das espécies. Em um futuro bem longínquo, daqui a 4,5 bilhões de anos, o Sol expandirá e a Terra ficará imersa nas camadas solares mais externas aquecidas a milhares de graus Celsius. O futuro da Terra poderá ser parecido com o de Vênus atualmente. Quando isso acontecer, mundos mais distantes e gélidos como o dos satélites galileanos de Júpiter, ou mesmo de Saturno, poderão entrar em um ciclo mais ameno, talvez com a possibilidade de desenvolvimento de vida. Se isso ocorrer, a vida terá migrado para locais mais favoráveis. Será que algo parecido ocorreu ou está ocorrendo nos exoplanetas distribuídos nos inúmeros sistemas planetários que povoam a Via Láctea e tantas outras galáxias?

Se eventos como esses nos afligem, o que dizer daqueles relacionados com o Universo? Será que ele expandirá para sempre, tornando-se cada vez mais frio até que tudo atinja a escuridão gélida? Ou será que ele resistirá à expansão e voltará a se contrair comprimindo tudo novamente às condições de átomo primordial, como prevê o Big Crunch? A ciência pode responder de forma segura a algumas dessas indagações, mas as respostas nem sempre satisfazem às questões humanas. Por isso mesmo buscamos em outras áreas, como filosofia e religião, respostas que nos trazem um pouco de paz interna, mesmo que ilusória. O ato de pensar faz parte de nosso ser e ele pode explicar as atividades intelectuais a que nos dedicamos, entre elas a ciência. Mas também pode haver uma outra explicação complementar: pensar é uma forma de trocarmos informações com a natureza. Conhecendo-a melhor, teremos mais oportunidades de encontrar meios de sobrevivência, não eterna, mas por um prazo maior do que se ficássemos alheios e à mercê dos acontecimentos. Talvez essa seja uma das características da vida: persistir o quanto puder.

Fonte: Decifrando a Terra. Organizadores Wilson Teixeira… [et. al] – 2ª ed. – São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009, pág. 49.

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