Este é o meu sangue


Tão branca, tão suave…

Você já viu um único lírio crescer?
Antes mesmo que mãos rudes o tenham tocado?
Você já andou pela neve,
Antes que a terra a tenha maculado?
Você já sentiu o pêlo de um castor,
Ou as penas de um ganso, alguma vez?
Já cheirou o botão de uma urze
Ou sentiu o nardo no fogo?
Você já provou a bolsa de mel da abelha?
Tão branca, tão suave
Tão doce ela é.

Ben Jonson, 1572-1637



Alice e o caminho

“Pode me dizer, por favor, que caminho devo pegar?”
“Depende de para onde você quer ir”, disse o gato.
“Não me importa muito onde…”, disse Alice.
“Então não importa o caminho que você pegue”, respondeu o gato

Alice no País das Maravilhas
Lewis Carroll



Toda influência é imoral…

Toda influência é imoral...

Boa influência é coisa que não existe. Toda influência é imoral… imoral do ponto de vista científico.
Influenciar uma pessoa é emprestar-lhe a nossa alma. Essa pessoa deixa de ter ideias próprias, de vibrar com as suas paixões naturais. As suas qualidades não são verdadeiras. Os seus pecados, se é que existe o que se chama de pecado, vêm-lhe de outrem. Essa pessoa torna-se o eco da música de outra pessoa, intérprete de um papel que não foi escrito para ela. A finalidade da vida é para cada um de nós o aperfeiçoamento, a realização plena da nossa personalidade. Hoje, cada qual tem medo de si próprio; esquece o maior dos deveres: o dever que tem consigo mesmo. Naturalmente, o homem é caridoso. Dá de comer ao faminto, veste o maltrapilho. Mas a sua alma é que sofre fome e anda nua. A coragem abandonou a nossa raça.  Talvez nunca a tenhamos tido. O temor da sociedade, que é a base da moral, e o temor a Deus, que é o segredo da religião… eis as duas coisas que nos governam. Contudo sou de parecer que se o homem vivesse plena e totalmente a sua vida, desse forma a todo sentimento, expressão a toda ideia, realidade a todo devaneio… creio que o mundo receberia um novo impulso eufórico, um impulso de alegria que nos faria esquecer todos os males do medievalismo e voltar aos ideais helênicos… talvez a algo mais belo e mais rico do que o próprio ideal helênico. Mas o mais valoroso dos seres humanos tem medo de si mesmo. A mutilação do selvagem subsiste tragicamente na renúncia que nos estraga a vida. Somos punidos pelo que enjeitamos. Todo impulso que nos empenhamos em sufocar incuba no nosso espírito e nos envenena. Peque o corpo uma vez, e estará livre do pecado, porque a ação tem um dom purificador. Nada restará então, salvo a lembrança de um prazer; ou a volúpia de um arrependimento. A única maneira de se livrar de uma tentação é ceder-lhe. Resistamo-lhe, e a nossa alma adoecerá de desejo do que proibimos a nós mesmos, do que as suas leis monstruosas tornaram monstruoso e ilegítimo. Tem-se dito que os grandes acontecimentos do mundo ocorrem no cérebro. Também é no cérebro, e só nele, que ocorrem os grandes pecados do mundo.

O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde



Contos no bosque
11/09/2009, 0:00
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A Lenda do Casarão

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Ésquilo, A Libação dos Portadores
18/07/2009, 16:03
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A Libação dos Portadores – Ésquilo

Ó, o tormento produziu na raça humana,
o opressivo grito da morte
e a pulsação que atinge a veia,
a hemorragia que ninguém pode estancar, a mágoa,
a maldição que nenhum homem pode suportar.
Mas há uma cura dentro da casa,
e não fora dela, não,
não de outros, e sim deles,
da briga sangrenta deles. Cantamos a ti,
deuses negros debaixo da terra.
Agora ouvi vós, poderes bem-aventurados debaixo do solo – respondei o chamado, enviai ajuda
Abençoai as criança, dê-lhes agora o triunfo.



Quem pode negar que o homem possui quase o mesmo gênio que o Autor dos céus?
17/07/2009, 9:25
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“Quem pode negar que o homem possui quase o mesmo gênio que o Autor dos céus? E quem pode negar que o homem também poderia, de algum modo, criar os céus se obtivesse os instrumentos e o material celeste, pois até agora o faz, se bem que com um material diferente mas ainda segundo uma mesma ordem?”

escrito por Marsílio Ficino no século XV, extraído de: HELLER, Agnes. O homem do Renascimento. Lisboa: Presença, 1982.



William Penn, Mais Frutos da Solidão
15/07/2009, 19:12
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Mais Frutos da Solidão – William Penn

A morte nada mais é que cruzar o mundo, como os amigos fazem com os mares; eles ainda vivem mutuamente. Pois é necessário a presença, para amar e viver no que é onipresente. Neste vidro divino, eles ficam cara a cara; e a conversa deles é livre, e também pura. Este é o conforto da amizade, apesar de lhes ter sido dito que morreriam, ainda assim a amizade e sociedade deles são, de certo modo, sempre presentes, por ser imortal.



Dono de biblioteca gigante em SP doa obras e digitaliza livros

Obras raras podem ser consultadas pela internet.
Trabalho é feito por robô que ‘lê’ 2,4 mil páginas por hora.

Para quem temia que os livros sumiriam na era da internet, uma boa notícia: o tradicional e o virtual viraram aliados.

A biblioteca brasiliana Guita e José Mindlin está sendo digitalizada. O acervo é um tesouro formado durante 80 anos por José Mindlin, de 94 anos. E ele está doando tudo.

“A idéia da biblioteca ser parte da universidade e ser pública prevaleceu desde o início. Eu sou, durante todos esses anos, conservador dos livros, guardião dos livros”, diz ele.

Agora, esses livros começam a se transformar em páginas virtuais. Quem faz esse trabalho é um robô que “lê” 2.400 páginas por hora. Três mil documentos já podem ser acessados pelo computador.

Mas a biblioteca virtual brasiliana será muito mais do que isso. São 25 mil títulos. Livros feitos no Brasil e sobre o Brasil, preciosidades desde o século 16. Entre eles, estão a primeira edição do livro de viagens de Hans Staden, a primeira dos 17 volumes dos sermões do Padre Antonio Vieira, as primeiras edições dos livros de Machado de Assis, muitos autografados. Os brasileiros terão acesso a tudo isso gratuitamente, via internet.

A primeira edição de “Helena”, de Machado de Assis, tem uma dedicatória a um amigo e já está na rede. Textos produzidos no século 19, na época da abolição, também. Todas essas raridades estão disponíveis do site da biblioteca (www.brasiliana.usp.br).

Do G1



Fernando Pessoa
13/06/2009, 14:55
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Fernando Pessoa



À luz de Bandeira
07/06/2009, 19:19
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Que me importa o beco,

a ausência de paisagem,

o fim da linha e a ausência

de horizonte?

O que eu vejo é a glória.

Ledusha Spinardi