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O pai estava tentando ler o jornal, mas o filho pequeno não parava de perturbá-lo. Já cansado com aquilo, arrancou uma folha – que mostrava o mapa do mundo – cortou-a em vários pedaços, e entregou-a ao filho.
“Pronto, aí tem algo para você fazer. Eu acabo de lhe dar um mapa do mundo, e quero ver se você consegue montá-lo exatamente como é”.
Voltou a ler seu jornal, sabendo que aquilo ia manter o menino ocupado pelo resto do dia.
Quinze minutos depois, porém, o garoto voltou com o mapa.
“Sua mãe andou lhe ensinando geografia?”, perguntou o pai, aturdido.
“Nem sei o que é isso”, respondeu o menino. “Acontece que, do outro lado da folha, estava o retrato de um homem. E, uma vez que eu consegui reconstruir o homem, eu também reconstruí o mundo”.
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HEDONISMO INCONSEQUENTE
O posicionamento do homem frente às situações cotidianas segue uma tendência estrutural: é reflexo e consequência da adaptação ao meio em que se vive.
Em sociologia usa-se o termo “contrato social”, que é a aceitação passiva da cultura e das leis da comunidade onde se vive, sendo que o comportamento do homem é reflexo desse contrato. O islamismo, por exemplo, implica que a instituição familiar siga preceitos rígidos e patriarcais. Nesse contexto, o homem adota posturas machistas, incentivadas em alguns casos pelo Estado, quando este não é laico.
De forma análoga ao exemplo, o jovem machista insere-se no comportamento de risco quando não assume ação preventiva diante de doenças sexualmente transmissíveis e, somando-se a isso, quando expõe-se de forma deliberada e libertina a drogas, muitas vezes ilícitas.
A inconsequência dos jovens é proveniente de uma sociedade que abdica de sua cultura saudável ao ser humano para prover sua pior forma de educação social: a alienação. O Estado, no caso do Brasil, não provém a desintoxicação de ideologias obsoletas e casuais, sem efeito benéfico para a esfera coletiva, pois grande parte dessas ideologias fomentam minorias privilegiadas, tal como ocorre com a mídia, que sistematiza imagens e ideias sociais da classe dominante.
A postura de risco para o jovem, que naturalmente é apegado a descobrir e experimentar situações e concretizar o prazer individual e imediato, é algo extremamente interessante, pois esse comportamento também o é para a comunidade com a qual ele se relaciona, situação que denota a alienação.
Isso posto, o comportamento de risco é acentuado entre os jovens devido a motivos que ficam mascarados justamente por serem da essência que nos é imposta. Faz-se necessária, portanto, uma postura radical da sociedade em geral a fim de modificar comportamentos machistas e não apenas eufemisá-los, mas extinguir atitudes efêmeras e inconsequentes.
Por Roque

Estudantes da USP e Policia Militar
Nos jornais e na TV nós jovens aparecemos de forma bastante negativa. Nos associam à passividade, à alienação, à falta de responsabilidade e assim justificam que “o jovem não quer saber de nada” e portanto, não precisa ser ouvido. A falta de oportunidade e de perspectiva são a marca da nossa geração e ao invés do Estado nos garantir direito à saúde, cultura, educação, capacitação profissional, lazer, esporte e acesso à cidade, grande parte dos governos investem em ações de controle e repressão. Respostas fáceis são dadas: policiais nas ruas e redução da idade penal. A juventude não quer ser vítima, problema ou apenas espectadora da história, quer ser ouvida e quer participar como protagonista de ações que transformem a sua realidade. Não deixe que os outros falem por você, prove que o jovem pode definir suas prioridades!





















