Arquivado em: História, Sociedade | Tags: Aristóteles, escravidão, Grécia, História, propriedade

Parthenon
A Grécia veio a tornar-se a primeira civilização da Antiguidade que institucionalizou o escravismo, fazendo dele seu modo de produção. A escravidão foi defendida pelo filósofo Aristóteles. Para ele, a propriedade é uma parte da casa e a arte aquisitiva, uma parte da administração doméstica, já que sem as coisas necessárias são impossíveis a vida e o bem-estar; na administração doméstica assim como nas artes determinadas, é necessário dispor dos instrumentos adequados se se deseja levar a cabo sua obra. Os instrumentos podem ser animados ou inanimados; por exemplo: o timão do piloto é inanimado, o vigia, animado (pois o subordinado faz as vezes de instrumento nas artes). Assim, também os bens que se possui são um instrumento para a vida, a propriedade em geral, uma multidão de instrumentos; o escravo, um bem animado, é algo assim como um instrumento prévio aos outros instrumentos. Se todos os instrumentos pudessem cumprir seu dever obedecendo às ordens de outro ou antecipando-se a elas, como contam das estátuas de Dédalo ou dos tridentes de Hefesto, do que diz o poeta que entravam por si só na assembléia dos deuses, se as lançadeiras tecessem sós e os plectros tocassem sozinhos a cítara, os maestros não necessitariam de ajuda, nem de escravos ou amos.
O que é chamado habitualmente de instrumento, o é de produção, enquanto os bens são instrumentos de ação; a lançadeira produz algo à parte de seu funcionamento enquanto a roupa ou o leito produzem apenas seu uso. Além disso, como a produção e a ação diferem essencialmente e ambas necessitam de instrumentos, estes apresentam necessariamente as mesmas diferenças. A vida é ação, não produção, e por isso o escravo é um subordinado para a ação.

Aristóteles
Do termo propriedade, pode-se falar no mesmo sentido que se fala de parte: a parte não somente é parte de outra coisa, senão que pertence totalmente a esta, assim como a propriedade. Por isso, o amo não é do escravo outra coisa que amo, como lhe pertence por completo. Disso deduz-se claramente qual é a natureza e a função do escravo: aquele que, por natureza, não pertence a si mesmo, senão a outro, sendo homem, esse é naturalmente escravo; é coisa de outro aquele homem que, a despeito da sua condição de homem, é uma propriedade e uma propriedade sendo, de outra, apenas instrumento de ação, bem distinta do proprietário.
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