
A política do Pão e Circo
(…)
Os patrícios dependentes da exploração fundiária se empobreceram, passando a depender dos cargos públicos para manter seu nível social. A plebe, marginalizada pelo aumento do número de escravos, passou a ser sustentada pelo Estado, que distribuía trigo e proporcionava espetáculos circenses gratuitamente: iniciava-se a política de “pão e circo“, que tinha como meta primeira a alienação política da plebe romana. Frequentemente, os plebeus serviam como agregados aos mais ricos em troca de esmolas e alimentos. Nessa fase, os escravos provenientes das conquistas militares chegavam a Roma em grandes proporções, tornando-se cada vez mais baratos, e eram considerados seres inferiores, apenas “instrumentos falantes” (instrumenta vocalia).
“Contemplei a plebe com 300 sestércios por cabeça, em execução do testamento de meu pai; dei em meu quinto consulado 400 sestércios; no meu décimo-primeiro consulado, distribuí doze vezes trigo comprado às minhas custas; no meu décimo-segundo poder tribunício, dei, por três vezes, 400 sestércios por cabeça. Nunca houve menos de 250.000 indivíduos para eu beneficiar com essas liberalidades. No ano de meu décimo-oitavo poder tribunício e de meu segundo consulado, dei a cada homem da plebe 60 dinheiros por cabeça. Durante o meu décimo-terceiro consulado, dei 60 dinheiros aos cidadãos inscritos no circo para divertir a plebe.”
(Suetônio, Vida dos Doze Césares)
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